segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Minha vida, meu Sertão!



De manhã cedo ele acorda
Já começa a trabalhar
Pega a enxada e vai se embora
Seu alimento cultivar.

Será possível meu Deus,
Que essa chuva não chega?
O chão já se pôs a partir
Que comida vou por na mesa?

Chegando em casa, que tristeza
O filho começa a chorar
“Painho, eu com fome”, e eu respondo:
Só tem o almoço, esqueça o jantar.

De noite o céu vira uma festa
O que me dá força para mais um dia enfrentar
O Sertão está dentro de mim
Quero ver a flor nessa seca brotar.

Sou um homem de fé
Não desisto de lutar
A comida pode estar pouca
Mas minha esperança nunca vai faltar.


Ilana  Marques e Hugo Vitor

sábado, 15 de outubro de 2011

A tão sonhada felicidade

Hoje o sol brilhou mais alegremente, a flor floresceu sorridente. É dia das crianças, eu sou e sempre serei uma delas. Elas permanecem contentes com coisas simples. É essa simplicidade que as torna complexas.
Meu irmão, após uma promessa frustrada, amanheceu triste, e minha mãe logo lhe deu um presente novo, tudo o que ele queria. Mas não só o que o dinheiro traz felicidade. A felicidade comprada é passageira. Minha irmã menor dá risada de suas próprias travessuras. E eu fico de cá a observar. E me contagio.
A melhor felicidade é aquela contagia todos. Alguns, não por falta de tentativa, não conseguem sorrir por dentro. A capa do livro não importa. O conteúdo é o essencial. Procuram desesperadamente a felicidade. Cadê? Ela mora em cantos diferentes para cada pessoa. Mas está escondida dentro de cada um. Para você, pode estar naquela esquina ou na próxima parada. Em mim está interiorizada e faz festa.
 Que possamos ser ingênuos como as crianças, a falta de ingenuidade nos torna perversos, fecha nossos olhos para a beleza da vida. Que nunca deixemos de perguntar, mesmo sem sabermos as respostas. Que vivamos a vida sem correria sentindo o presente se entrelaçando nos dedos das mãos. Mas que não a deixemos passar, sem fazer nela mudanças, como um observador passivo que fica no banco esperando seu fim. Que nos tornemos importantes para alguém, mesmo que esse alguém seja você mesmo.
Que sejamos cheios de nós mesmos, sem depender de alguém para sorrir. Que a vida nos divirta com seu espetáculo em busca da felicidade. Desejo que neste dia das crianças, você seja feliz apenas deixando livre a criança que mora dentro de você.

Meus labirintos

Eu tenho medo de não agradar os outros, e é justamente isso o que eu não sei fazer. Evito tentar para não ser ridícula. Quando tento, acabo fazendo algo de errado. Então desisto e alguém sempre diz:
 - Você não fala com ninguém, é tão introvertida. Por que não é popular?
Eu só vou me enturmar quando estiver confortável em um grupo. Se eu não estiver, me auto excluo, fico ali, apenas eu mesma. Respeite quem eu sou, que, aliás, é uma coisa que eu nem sei.
Já procurei entender quem sou, e acabei cedendo. Quanto mais me procurava, me perdia, e quando me encontrava, mudava meu jeito, sumindo novamente. Preferi ficar assim. Sem definição certa, quem se define, se limita. Quando parei de procurar descobri. Sou uma borboleta frágil e simples, que às vezes ousa voar, mas ainda sente a necessidade de voltar para o casulo.
Sei quem sou hoje. No nascer do sol, vem à tona uma pessoa diferente.

"A única verdade é que vivo. Sinceramente, eu vivo. Quem sou? Bem, isso já é demais." Clarice Lispector

domingo, 25 de setembro de 2011

Rimas de uma Estação



Eu quero uma casa pequena
Do tamanho dos meus sonhos
De onde eu possa ver a cena
Do nascer do Sol entre os campos
Quero a manhã cheirando a jasmim
E da palavra me alimentar
Quero felicidade sem fim
Quero ver a flor no meu Sertão brotar
Quero um amor de primavera
De outono, de inverno, de verão
Quero um amor de ano inteiro
Pra vida inteira, como uma eterna canção
Quero chegar em casa
Sentindo certo cansaço
E ver uma menina, minha filha
Correr para um forte abraço
Quero meu filho correndo
Em um espaço sideral
Ele é um super herói maneiro
Tem até uma cueca legal
 Quero fazer o que gosto
Tocar guitarra e bateria
Fazer alguém sorrir
No fim da tarde, escrever poesia
Quero a tranqüilidade nas noites de sono
E duas crianças na minha cama em noites de tempestade
Quero ensinar ao meu filho os acordes do violão
Ensinar à minha filha o valor da bondade
Quero meus sonhos
Discos e livros
Guardados em um baú de certa idade
Todos protegidos sob um cadeado chamado saudade
Quero a leitura companheira
Viajar sentada em um balaço no quintal
Com um todinho ao lado, na geladeira
Um coração sensível, nem de vidro, nem de cristal
Quero olhos brilhantes e sinceridade
Família reunida no domingo, quero fidelidade
Quero um piano preto
Nem que seja de brinquedo
Quero lugar seguro
Não quero sentir medo
Quero amigos distantes
Quero amigos aqui perto
Quero juntos ou dispersos
Só quero que entre nós haja afeto
Quero noites quentes de inverno
Dias frios de verão
Quero muito amor materno
Para cada problema, solução
Quero me perder nas folhas do caderno
Quero entendimento após cada discussão
Quero o cheiro das lembranças
Quero música no ambiente
Quero o simples, que aliás, é o mais importante
Quero agradecer pelo dia contente

E quero Deus
Enchendo a casa de paz
Eu quero isso
Nada menos, nada mais.