sábado, 15 de outubro de 2011

A tão sonhada felicidade

Hoje o sol brilhou mais alegremente, a flor floresceu sorridente. É dia das crianças, eu sou e sempre serei uma delas. Elas permanecem contentes com coisas simples. É essa simplicidade que as torna complexas.
Meu irmão, após uma promessa frustrada, amanheceu triste, e minha mãe logo lhe deu um presente novo, tudo o que ele queria. Mas não só o que o dinheiro traz felicidade. A felicidade comprada é passageira. Minha irmã menor dá risada de suas próprias travessuras. E eu fico de cá a observar. E me contagio.
A melhor felicidade é aquela contagia todos. Alguns, não por falta de tentativa, não conseguem sorrir por dentro. A capa do livro não importa. O conteúdo é o essencial. Procuram desesperadamente a felicidade. Cadê? Ela mora em cantos diferentes para cada pessoa. Mas está escondida dentro de cada um. Para você, pode estar naquela esquina ou na próxima parada. Em mim está interiorizada e faz festa.
 Que possamos ser ingênuos como as crianças, a falta de ingenuidade nos torna perversos, fecha nossos olhos para a beleza da vida. Que nunca deixemos de perguntar, mesmo sem sabermos as respostas. Que vivamos a vida sem correria sentindo o presente se entrelaçando nos dedos das mãos. Mas que não a deixemos passar, sem fazer nela mudanças, como um observador passivo que fica no banco esperando seu fim. Que nos tornemos importantes para alguém, mesmo que esse alguém seja você mesmo.
Que sejamos cheios de nós mesmos, sem depender de alguém para sorrir. Que a vida nos divirta com seu espetáculo em busca da felicidade. Desejo que neste dia das crianças, você seja feliz apenas deixando livre a criança que mora dentro de você.

Meus labirintos

Eu tenho medo de não agradar os outros, e é justamente isso o que eu não sei fazer. Evito tentar para não ser ridícula. Quando tento, acabo fazendo algo de errado. Então desisto e alguém sempre diz:
 - Você não fala com ninguém, é tão introvertida. Por que não é popular?
Eu só vou me enturmar quando estiver confortável em um grupo. Se eu não estiver, me auto excluo, fico ali, apenas eu mesma. Respeite quem eu sou, que, aliás, é uma coisa que eu nem sei.
Já procurei entender quem sou, e acabei cedendo. Quanto mais me procurava, me perdia, e quando me encontrava, mudava meu jeito, sumindo novamente. Preferi ficar assim. Sem definição certa, quem se define, se limita. Quando parei de procurar descobri. Sou uma borboleta frágil e simples, que às vezes ousa voar, mas ainda sente a necessidade de voltar para o casulo.
Sei quem sou hoje. No nascer do sol, vem à tona uma pessoa diferente.

"A única verdade é que vivo. Sinceramente, eu vivo. Quem sou? Bem, isso já é demais." Clarice Lispector